Os Caboclos Boiadeiros
Muito temos escutado e lido a
respeito dos espíritos que na Umbanda se manifestam na irradiação (Linha) dos
Boiadeiros, mas o que realmente os compete fazer dentro da religião de Umbanda?
Os Boiadeiros são espíritos de
pessoas que, normalmente, em alguma encarnação trabalharam com o gado, em
fazendas pôr todo o Brasil, e por isso guardam afinidades com estas atividades
campestres. Estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos Índios nas
Giras de Umbanda (sessões de incorporação).
Têm como papel fundamental
participar nos grupos que recolhem espíritos sofredores que geram transtornos
espirituais em suas vítimas do plano espiritual ou resgatar espíritos em
sofrimentos prontos para este resgate para o aprisco de Cristo Jesus.
Seus laços formam campos de força
que contém as energias com as quais trabalham nessa busca espiritual dos
sofridos e os prendem dentro deste campo, possibilitando assim o resgate dos
mesmos, para que possam de acordo com a sua necessidade serem reconduzidos a
sua evolução natural dentro da Lei e da Justiça Divina.
Usam de canções antigas, que
expressam o trabalho com o gado e a vida simples das fazendas, nos ensinando a
força que o trabalho tem e passando, como ensinamento, que o principal elemento
da sua magia é a força e a vontade de conquistar, fazendo assim que consigamos
uma vida melhor e farta.
Nos seus trabalhos usam de velas,
pontos riscados e rezas para todos os fins.
Chamam a atenção para a inclusão
de povos e grupos sociais excluídos, como é o caso do homem do campo.
Os Boiadeiros também tem um papel
muito importante no equilíbrio psicoemocional dos participantes das reuniões
espíritas, onde auxiliam no equilíbrio das emoções desgovernadas, muitas vezes
reflexo das imperfeições e limitações ou dos ataques sofridos pelas obsessões,
seja individualmente ou mesmo a grupos de médiuns onde o ataque visa o
desequilíbrio de um centro. Daí dizermos que a Linha de Caboclos Boiadeiros têm
como Vibração da Linha: Oxossi (Caboclo) polarizado com Yansã (equilíbrio das
emoções).
Nos resgates feitos nas esferas
negativas os Boiadeiros tem papel importante na criação e sustentação juntos
com os Exús nos campos de contenção energética, pois nestas regiões os grupos
de resgate costumam ser atacados pelo astral inferior e o papel dos Boiadeiros
é de suma importância no mesmo.
Sua maior finalidade não é a
consulta como os Preto-Velhos ou os Caboclos Índios, mas os Passes e
Descarregos, embora possam fazê-lo quando necessário e determinado.
Quando bradam alto e rápido, com
tom de ordem, estão na verdade ordenando a espíritos e energias densas que
entraram no local a se retirar, assim “limpam” o ambiente para que a prática da
caridade continue sem alterações, já que a presença dessas energias muitas
vezes interferem trabalhos de aconselhamento.
Esses espíritos atendem a
Boiadeiros pela demonstração de coragem que os mesmos lhes passam e são levados
por eles para locais próprios de doutrina.
Têm suas vibrações individuais,
mas não mudam sua finalidade de trabalho e são muito parecidos na sua forma de
incorporar e falar, ou seja, a energia emanada pelo Orixá de sua vibratória é
apenas um critério interno e obrigatório dentro do próprio trabalho espiritual.
Dentro dessa linha a diversidade
de apresentação fluídica na forma varia entre os Boiadeiros. Existem Boiadeiros
mais velhos, outros mais novos, e costumam dizer que pertencem a locais
diferentes, como regiões por exemplo: Nordeste, Sul, Centro-Oeste, etc…
Nas incorporações o corpo começa
a estremecer, o coração bate mais forte e a força, a coragem, a determinação, a
sabedoria, a seriedade e a alegria tomam conta do mental e do emocional do
médium que rapidamente gira, começando a dançar e a movimentar seu chicote e ao
gritar: “Ô! Boi” demonstrando o vigor e a força do Boiadeiro, agora em terra. O
plano astral inferior estremece, não se tem mais como escapar do laço do Boiadeiro
que rapidamente envolve todos os seres negativos que perturbam o médium e a
Casa Santa. Com amparo de Ogum, seu Orixá protetor, o boiadeiro encaminha todos
esses malfeitores para o domínio da Lei, onde serão refreados e redirecionados
com a grande oportunidade de Evolução, demonstrando um grande trabalho de
caridade e principalmente de amor ao próximo.
Boiadeiro na Umbanda são
entidades espirituais de homens que se ligam ao trabalho no campo, na rudeza da
condução do gado, operam nos terreiros com seu laço e seu grito característico
capturando espíritos decaídos e kiumbas que atormentam os consulentes,
encaminhando-os para guias espirituais de socorro destes seres desencarnados.
São espíritos ligados à vida de
vaqueiros, posseiros, capatazes, e espíritos afins. Sabem que a prática da
caridade os levará a evolução, trabalham incorporados na Umbanda. Fazem parte
da linha de Oxossi, como Caboclos que são, agindo em diferentes funções.
Formam uma linha de espíritos que
assumem roupagem espiritual mas ligados à modernidade do que os caboclos índios
que representam em suas manifestações os povos indígenas, portanto mais
primitivos.
São seguros nas suas
incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Sua maior finalidade não
é o aconselhamento, embora alguns o façam, e sim o “dispersar de energia”
aderida a corpos, paredes e objetos. É de extrema importância essa função pois
enquanto os outros guias podem se preocupar com o teor das aconselhamentos essa
linha “sempre” atenta a qualquer alteração de energia local (entrada de
espíritos).
Outra grande função de um
boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam elas
médiuns da casa ou consulentes. Costumam proteger demais seus médiuns nas
situações perigosas. “Gostar” para um boiadeiro, é ver no seu médium coragem,
lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele “filho”. Pois ser filho de
boiadeiro não é só tê-lo na coroa mediúnica.
Os Boiadeiros vêm dentro da Linha
de Oxossi, dos Caboclos. Eles são entidades que representam a natureza
desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, “o caboclo
sertanejo”, ou dos campos “caboclos dos pampas”. São os Vaqueiros, Boiadeiros,
Laçadores, Peões, Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com
índio, índio com negro e assim vai.
Representam, misticamente, os que
sofreram preconceitos, como os “sem raça”, sem definição de sua origem.
Ganhando a terra do sertão ou os campos do sul com seu trabalho e luta, mas
respeitando a natureza e aprendendo, um pouco com o índio: suas ervas, plantas
e curas; e um pouco do negro: seus Orixás, mirongas e feitiços; e um pouco do
branco: sua religião (posteriormente misturada com a do índio e a do negro,
sincretismo) e sua língua, entre outras coisas.
Os Boiadeiros representam a
própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes,
crendices, superstições e fé.
No Terreiro os Boiadeiros vêm
“incorporando em seus aparelhos” como estivessem laçando seu gado, dançando,
bradando, enfim, criando seu ambiente de trabalho e vibração.
Com seus chicotes e laços vão
quebrando as energias negativas e descarregando os médiuns, o terreiro e as
pessoas da assistência.
Em grande parte, o trabalho dos
Boiadeiros é no descarrego, no passe e no preparo dos médiuns.
Os Boiadeiros em seus trabalhos
bebem vinho ou marafo (aguardente). Gostam de bebida forte como por exemplo
cachaça com mel de abelha, que eles chamam de meladinha, mas também bebem
vinho. Fumam cigarro, cigarro de palha e charutos.
Alguns usam chapéus de boiadeiro,
laços, jalecos de couro, calças de bombachas, e tem alguns, que até tocam
berrantes em seus trabalhos.
Nomes de alguns boiadeiros:
Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro da
Mina, Boiadeiro do Lajedo, Boiadeiro do Rio, Carreiro, Boiadeiro do Ingá,
Boiadeiro Navizala, Boiadeiro de Imbaúba, João Boiadeiro, Boiadeiro Chapéu de
Couro, Boiadeiro Juremá, Boiadeiro Menino, Zé Mineiro, Boiadeiro do Chapadão,
etc …
Enfim isso é um pouco da ação destes irmãos da luz que
constantemente se manifestam nos terreiros de Umbanda, nas casas espíritas e
ainda nos dias de hoje são poucos compreendidos.
Salve todos os Boiadeiros! Ê boi...
Jêtruá, Boiadeiro!

