São Jorge e Ogum
Hoje é Dia de Ogum na Umbanda!
Dia 23 de Abril. Dia de São Jorge.
Saravá Ogum! Ogum Yê!
Ogum, na Umbanda, representa uma
das forças da natureza oriundas de Deus, que se manifesta na forma de energia
ligada à perseverança, à coragem de vencer demandas, atuando na defesa de toda
a natureza, sendo executor da Lei. Sua energia está em todos os lugares.
Por vir representado pelos seus
falangeiros (Mensageiros de Ogum), como energia vibrante e enérgica, Ogum é
símbolo de atividade, de trabalho, de vigor, de possibilidade de a criatura
humana buscar na natureza os recursos para vencer suas fronteiras, físicas e
espirituais, revitalizando ou descobrindo sua energia vital, às vezes, nem
sempre conhecida pelo indivíduo.
Os pontos cantados para louvar
Ogum trazem também essa energia, todos eles ressaltando suas qualidades de
bravo guerreiro e vencedor de demandas. É comum vermos nos pontos cantados para
Ogum a junção dos vários elementos da natureza sendo louvados quando invocamos
seus Mensageiros.
Quando o filho de fé invoca o
Orixá Ogum, está invocando forças que o levem a lutar e vencer sobre as forças
que o querem levar ao declínio, agindo a energia de Ogum como elemento
revitalizador que possibilita sua ascensão, sua conquista ao fim desejado. Assim
como Oxalá, Ogum também é força, é misericórdia, é socorro.
Ogum vibra sua energia nos
Caminhos, nas entradas, sempre vigilante, aplicando a Lei Divina com rigidez e
firmeza, conforme a atitude daquele que o leva a agir.
Os Mensageiros de Ogum são espíritos
que assumem a roupagem perispiritual de soldados, daí também, advir o
sincretismo desse Orixá com São Jorge, no Rio de Janeiro, comemorando-se seu
dia em 23 de abril. Na verdade, compara-se Ogum a São Jorge pelas
características desse Santo Guerreiro do catolicismo: São Jorge veste uma
armadura de guerra e monta um cavalo branco. Utiliza a lança e a espada para
vencer o dragão, que no caso de Ogum, traz o simbolismo de que através da sua
coragem e destemor, sua energia é capaz de trazer a proteção necessária para o
combate às forças do Astral Inferior, e o dragão representaria a alegoria de
que as forças dos espíritos trevosos e obsessores não são capazes de vencer e
derrubar a Lei de Deus e aqueles que buscam caminhar sob sua Luz.
A força de Ogum é representada
por sua espada, sua lança, seu escudo (“Ogum quando vem lá de Aruanda, traz uma
espada e uma lança na mão...”), e através do metal de sua espada, Ogum corta o
mal e vence demanda dos filhos de Deus que a ele roga sua benção e proteção,
mobilizando toda a sua energia para esse caminho.
Ogum atua no elemento Fogo,
interagindo com todos os elementos naturais, Ar, Fogo, Água, Terra. Ogum atua
em todos eles em conjunto com os demais Orixás, trazendo seus falangeiros
características dessa vibração de Ogum com a vibração do Orixá que rege outro
campo vibratório da Natureza.
Dessa forma encontramos os
desdobramentos da energia do Orixá Ogum, sendo que os mais conhecidos são:
- Ogum Megê - Trabalha em harmonia com Obaluayê, a Lei de Deus no poder transformador.
- Ogum Rompe-Mato - Trabalha em harmonia completa com Oxóssi. A Lei de Deus a luz do
Conhecimento.
- Ogum Marinho, Beira-Mar, Sete Ondas - Trabalha em harmonia com Iemanjá. A Lei de Deus na Renovação da
Vida.
- Ogum Naruê, trabalha harmonicamente com Xangô. A Lei de Deus atuando na Justiça e Equilíbrio.
- Ogum Delê ou Sete Espadas, trabalhando na força ígnea do próprio Ogum. A Lei de Deus atuando e
normatizando o cosmo e os seres.
- Ogum Matinata, trabalhando na vibração de Oxalá. A Lei de Deus sobre a religiosidade e a fé.
- Ogum Yara, trabalhando nas águas doces da Oxum. A Lei de Deus como fonte do amor e da afetividade conceptiva.
Mas, afinal, quem é São Jorge?
No Rio de Janeiro o dia 23 de
abril é feriado estadual em comemoração ao “Santo Guerreiro”, data de seu
falecimento. O Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, instituiu
o feriado Estadual pela Lei nº 5198, em 05 de março de 2008. Sendo publicado em
03 de junho do mesmo ano, pelo projeto de Lei nº 339/2007.
O Dia de São Jorge é celebrado
por várias nações para quem São Jorge é o santo patrono. Entre os países que
comemoram a data, destacam-se o Reino Unido, Portugal, Geórgia, Catalunha,
Bulgária e pelos goranis. No Reino Unido, o Dia de São Jorge é também o Dia
Nacional. O Dia de São Jorge é também comemorado localmente em Newfoundland
(Canadá) e em Adis Abeba (pela Igreja Copta Ortodoxa Etíope).
São Jorge (275 - 23 de abril de
303) foi, de acordo com a tradição, um padre e soldado romano no exército do
imperador Diocleciano, venerado como mártir cristão. Na hagiografia, São Jorge
é um dos santos mais venerados no catolicismo (tanto na Igreja Católica Romana
e na Igreja Ortodoxa como também na Comunhão Anglicana). Também é venerado em
diversos cultos das religiões afro-brasileiras, onde é sincretizado na forma de
Ogum. É imortalizado no conto em que mata o dragão e também é um dos Catorze
santos auxiliares. Considerado como um dos mais proeminentes santos militares,
sua memória é celebrada dia 23 de abril como também em 3 de novembro, quando,
por toda parte, se comemora a reconstrução da igreja dedicada a ele na Lida
(Israel), onde se encontram suas relíquias, erguida a mando do imperador romano
Constantino I.
A História
Jorge de Anicii nasceu no ano de
280 d.c na antiga Capadócia, região do sudeste da Anatólia, que atualmente faz
parte da República da Turquia. Ainda criança mudou-se para a Palestina com a
sua mãe, logo após seu pai, um Oficial do Exército Imperial, morrer em campo de
batalha. Sua família era de nobres e possuíam muitos bens.
Ao atingir a adolescência, Jorge
entrou para a carreira militar, e por ser corajoso e combativo, logo foi
promovido a Capitão do Exército Romano.
Mais tarde o Imperador
Diocleciano, lhe conferiu o título de Conde da Capadócia. Aos 23 anos passou a
residir na Corte Imperial de Roma, exercendo a função de Tribuno Militar. Nesse
tempo sua mãe faleceu, e Jorge herdando todas as riquezas.
O Imperador Diocleciano e o
Governador Daciano, desencadearam uma terrível perseguição contra os Cristãos,
com tanta fúria que, em apenas um mês, mais de 17.000 foram martirizados, e
muitos outros foram perseguidos e forçados pelas torturas, a renegar a sua fé
em Jesus Cristo. Jorge que tinha sangue azul, afligido pelas barbaridades,
renunciou a carreira militar.
Jorge distribuiu todos os seus
bens aos pobres e vestindo-se como os Cristãos foi as ruas e passou a falar
frases como, "Os deuses pagãos são demônios, o único Deus verdadeiro, é
Jesus Cristo". A ousadia de Jorge chegou aos ouvidos do Governador
Daciano, um cruel perseguidor de cristãos, que tomado pela ira chamou Jorge e
perguntou: "Com que direito chamas os nossos deuses de demônios?, quem és
tu?, de onde és tu? e em nome de quem está dizendo isto?, e Jorge respondeu
assim: "Eu me chamo Jorge de Anicii, sou um nobre da Capadócia, e com a
ajuda de Cristo conquistei as terras da Palestina, mas renunciei a tudo que me
foi dado, meus títulos e cargos que possuía, para sem honras e riquezas servir
a meu Deus".
O Imperador tentou convence-lo a
renegar a sua fé em Jesus, mas não tendo êxito ordenou as seguintes torturas: O
Colocaram em um cavalete de madeira, e teve seus braços e pernas dilacerados
com garfos de ferro, e depois mandou cobrir todas as suas feridas com sal. Mas
Tudo em vão, Jorge mantinha-se firme, e a cada vitória sobre as torturas ia
convertendo mais e mais soldados.
O Imperador mandou chamar o mais
temido feiticeiro para acabar com a vida de Jorge. Irônico o feiticeiro falou:
"Se eu não conseguir acabar com esse Cristão, que eu perca a minha
cabeça". Ele misturou veneno com vinho e deu pra Jorge beber. O Jovem fez
o sinal da Cruz, bebeu o vinho e nada lhe aconteceu, o feiticeiro preparou uma
dose ainda mais forte, Jorge novamente fez o sinal da Cruz, bebeu o vinho e
continuava vivo, espantado o feiticeiro ajoelhou-se aos pés de Jorge e implorou
para ser convertido ao Cristianismo, Jorge o fez, e logo depois foi decapitado.
Depois de ser torturado durante
todo o dia, chegando à noite, o Senhor Deus rodeado de uma Luz Divina, apareceu
e consolou Jorge com doces palavras, que o deixou tão confortável, que nem
parecia ter sido torturado. O Imperador vendo que, com ameaças e torturas não
conseguiria nada, mudou de plano, e o tentou com fortunas e recompensas. Mas
Jorge sorrindo respondeu: "Porque em vez de me torturar, não me dissestes
estas coisas no inicio? Aqui me tens disposto a fazer o que me propõem". O
Imperador não se deu conta da tática de Jorge. Diocleciano ordenou que toda a
cidade fosse enfeitada, mandou convocar o povo para assistir aos sacrifícios
que Jorge por fim iria oferecer aos ídolos romanos.
No dia previsto para o grande
acontecimento, a multidão curiosa e com grande expectativa, lotou o templo no
qual Jorge iria adorar publicamente os deuses romanos. Na hora marcada, Jorge entrou
no templo, ajoelhou-se e pediu ao Senhor Deus para converter todo o povo dentro
do templo, e pediu que Deus destruísse todas as estátuas, de maneira que não
ficasse nenhum vestígio delas. Acabando sua oração desceu dos céus uma rajada
de fogo que reduziu as cinzas todas às imagens. Logo que a multidão presente
correu para fora do templo, Jorge saiu mansamente, e de novo fez suas preces, e
depois de alguns segundos a terra se abriu e engoliu todo o templo, não ficando
o menor vestígio de sua existência.
Sabendo do ocorrido, o Imperador
disse a Jorge: "És o mais abominável dos homens, como é possível tamanha
ousadia, a ponto de cometeres um crime tão horrível?". Enfurecido e vendo
que Jorge não renegaria a sua fé em Jesus Cristo, mandou que ele fosse arrastado
de cavalo por toda a cidade, e depois decapitado. Jorge ao perceber que tinha
chegado há sua hora, elevou os olhos ao céu e pediu a Deus que, a partir
daquele momento, todos que pedissem seu socorro fossem atendidos, e lá do alto,
em resposta a prece do grande Mártir, ouviu-se a voz de Deus concedendo o
pedido: "Quem rogasse pela ajuda de São Jorge seria atendido". Depois
disso a sentença se cumpriu. São Jorge foi decapitado no dia 23 de abril de 303
d.C. em Nicomédia. Seus restos mortais foram transportados para Lida (Antiga
Dióspolis), hoje Israel.
A quantidade de milagres
atribuídos a São Jorge é imensa. Segundo a tradição, ele defende e favorece a
todos os que a ele recorrem com fé e devoção, vencendo batalhas e demandas,
questões complicadas, perseguições, injustiças, disputas e desentendimentos.
São Jorge Guerreiro da fé, foi Soldado, Capitão e Conde, por nada no mundo
deixou o amor e a fé em Jesus Cristo, a quem sempre acreditou e confiou. Salve
Jorge da Capadócia!
Não podia faltar a minha mãe Iemanjá.
Fonte: cruzeirodaluz.org

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